15/09/2018

Prismático

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Escrito em Maio/2016
Ele amava as tardes ensolaradas de inverno, enquanto eu, a brisa fria das manhãs geladas de verão. Ele era o Sol, abrindo caminho entre as nuvens densas criadas por mim. Eu me perguntava se eu seria capaz de suportar aqueles dias alegres e ensolarados.

Eu era como o inverno, mas não como o inverno que ele amava - eu era o mais frio e tempestuoso inverno.
Ele era como o verão, o mais aconchegante, caloroso e iluminado verão, de uma forma que eu não estava acostumada.

Nós éramos como chuva e sol.
Éramos luz e sombra.
Como dois espectros que não poderiam se misturar.
Pelo menos não de fato, não ao certo.

Senti que estaria me arriscando ao me expor à luz novamente. Seria o fim daquele meu cenário monocromático, de minha calmaria. Eu não sabia se estava preparada para as suas cores.

Por ser medrosa, pensei em abrir mão da luz e continuar a viver no escuro, mas então eu descobri que eu já não pertencia mais àquele lugar, e que sol e chuva formam juntos um belo arco-íris. A sombra jamais existiria sem a luz.

O meu lugar era ao seu lado, em seu universo prismático cheio de cores e vida.